Os três cortes de energia registados em menos de uma semana em São Vicente foram provocados por danos deixados pela tempestade Erin na rede eléctrica e não por actos de sabotagem, garantiu o director de distribuição da EDEC.
Hélder Barbosa, director de Distribuição da Empresa de Distribuição de Electricidade de Cabo Verde (EDEC), falava em conferência de imprensa em nome do conselho de administração do grupo Electra.
O responsável reconheceu as vulnerabilidades no sistema e anunciou medidas urgentes de substituição de equipamentos.
“Esta ocorrência está relacionada com a vulnerabilidade da rede, com danos provocados pela tempestade Erin, e é agora que estamos a senti-los. Após a Erin fizemos um conjunto de avaliações e análises à rede e intervenções de emergência para reposição da normalidade naquela altura, em Agosto”, explicou Hélder Barbosa.
Sublinhou que, neste momento, a empresa tem um conjunto significativo de activos que precisam de ser substituídos, pelo que já foi lançado um concurso e adjudicada uma empresa, cujo contrato foi assinado, para o fornecimento de postos de transformação e cabos subterrâneos de média tensão.
Por isso, segundo o director de distribuição, estão a ser tomadas medidas para a correcção efectiva das situações.
“Acreditamos, tendo em conta que o fabrico dos equipamentos já está em andamento no mercado externo, que nas próximas semanas teremos esses equipamentos e iniciaremos de forma efectiva a substituição deste conjunto de activos que foi afectado pela tempestade”, acrescentou.
Hélder Barbosa disse ter recebido da Empresa de Produção de Electricidade de Cabo Verde (EPEC) a garantia de que a situação da produção de energia é estável e que, neste momento, estão a monitorizar a rede através do Centro Nacional de Despacho e de equipas no terreno.
“Durante estes dias tem sido desafiante para a equipa, porque tem trabalhado de forma ininterrupta. O pessoal não tem descansado e vamos continuar a trabalhar com total dedicação para reforçar a fiabilidade do sistema eléctrico da ilha de São Vicente”, assegurou.
Sobre o primeiro corte de energia, na sexta-feira, 13 de Fevereiro, Hélder Barbosa explicou que, por volta das 21h13, houve um curto-circuito devido a uma avaria na rede aérea de 20 mil volts, entre Lameirão e Mato Inglês, provocado pelo vento que se fazia sentir.
Esta situação, adiantou, “gerou uma instabilidade do sistema eléctrico” da ilha e houve um “efeito cascata na rede de distribuição de energia”.
O fornecimento foi restabelecido de forma progressiva durante a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado.
Informou que o segundo corte aconteceu no sábado, dia 14, por volta das 19h20, causado pelo disparo automático de circuitos de 20 mil volts de interligação das centrais eléctricas da Matiota e do Lazareto, deixando a ilha às escuras.
“A reposição de energia iniciou-se às 19h33 e a reposição integral da ilha foi concluída às 23h52”, esclareceu, acrescentando que “foram detectados múltiplos problemas em vários activos da rede, como postos de transformação e cabos subterrâneos, e a reposição só foi possível por via de circuitos alternativos, que constituem a espinha dorsal do sistema”.
Na terça-feira, 18 de Fevereiro, dia do Carnaval, houve outro corte de energia, provocado por um curto-circuito homopolar que levou à desligação das centrais do Lazareto e da Matiota.
Contudo, clarificou, foi activado o plano de contingência e a energia no centro da cidade do Mindelo foi reposta 29 minutos depois, sendo que a reposição integral da ilha aconteceu cerca de duas horas mais tarde, através de circuitos alternativos e outras soluções tecnológicas.
Segundo Hélder Barbosa, já foi feita uma pré-localização da avaria nas proximidades da Frescomar e as equipas encontram-se a efectuar a reparação para melhorar o serviço.
Fonte: Inforpress // Redação tiver