O Governo autorizou o Tesouro a conceder um aval à Câmara Municipal de São Vicente para um financiamento bancário junto do Banco Cabo-verdiano de Negócios, no valor de 400 mil contos, destinado à reconstrução pós-tempestade Erin.
Esta informação consta da Resolução n.º 8/2026, do Conselho de Ministros, publicada no Boletim Oficial de 19 de Janeiro e consultada hoje pela Inforpress.
Na resolução, o Governo lembra que, na madrugada de 11 de Agosto de 2025, a ilha de São Vicente foi assolada pela passagem de uma tempestade que provocou “estragos significativos”, causados por “fortes enxurradas”.
Lembrou da ocorrência de enchentes, inundações, derrocadas e deslizamentos de terra, desabamento de muros e a destruição de vias públicas, habitações, construções e outras infra-estruturas.
Neste sentido, justificou, a Câmara Municipal de São Vicente deliberou a realização de investimentos nas áreas afectadas pela tempestade, com o objectivo de “reconstruir São Vicente”.
Assim, acrescentou, para cumprir este desiderato, a câmara solicitou um aval do Estado como garantia para recorrer a um empréstimo bancário no valor de 400 milhões de escudos, a ser contraído junto do Banco Cabo-verdiano de Negócios, pedido que foi autorizado pelo Governo.
Como justificação, o executivo destacou “a relevância destes investimentos na reabilitação das estruturas e infra-estruturas da ilha de São Vicente e o seu impacto na economia local e nacional”.
A tempestade Erin, ocorrida na madrugada de 11 de Agosto de 2025, inundou bairros, destruiu estradas e estabelecimentos comerciais e afectou o abastecimento de energia e de água.
Provocou ainda nove mortos, duas pessoas desaparecidas e vários desalojados em São Vicente.
O Governo decretou a situação de calamidade por seis meses em São Vicente, Porto Novo (Santo Antão) e nos concelhos de São Nicolau, outros dos pontos do país afectados.
Foi aprovado um plano de resposta com apoios de emergência às famílias e às actividades económicas, incluindo linhas de crédito bonificadas e verbas a fundo perdido, financiadas pelo Fundo Nacional de Emergência e pelo Fundo Soberano de Emergência, criado em 2019.
Além disso, foram mobilizados apoios financeiros de organizações internacionais, nomeadamente do Banco Mundial, que aprovou 10 milhões de dólares para reforçar a resposta aos danos, da Cruz Vermelha, que disponibilizou 200 mil contos, e da TUI Care Foundation, com 100 mil euros para as vítimas.
Os apoios financeiros e materiais vieram também de emigrantes da diáspora em países como Portugal, Suíça, Luxemburgo, Holanda e Estados Unidos, bem como de empresas nacionais, bancos sediados em Cabo Verde, câmaras municipais e da sociedade civil nas diversas ilhas.
No mês de Outubro, o Governo anunciou igualmente que estava a investir 35 milhões de euros (cerca de quatro milhões de contos) na recuperação de São Vicente e das ilhas afectadas pela tempestade Erin, mas que necessitava de mais 20 milhões.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver