UCID PEDE RIGOR E TRANSPARÊNCIA NAS LEGISLATIVAS DE 2026

O presidente da União Cabo Verdiana Independente e Democrática (UCID) alertou hoje para falhas no processo eleitoral e defendeu medidas urgentes para assegurar eleições livres, justas e transparentes nas legislativas de 17 de Maio de 2026.

Na sua declaração política, João Santos Luís afirmou que a realização de eleições transparentes constitui um dos pilares fundamentais da democracia cabo-verdiana, sublinhando que a reputação internacional de Cabo Verde não pode servir de “escudo para encobrir falhas recorrentes” no sistema eleitoral.

Segundo o líder da UCID, nas últimas eleições autárquicas, registaram-se constrangimentos na ilha do Sal, onde centenas de trabalhadores do sector hoteleiro terão ficado impedidos de votar devido ao encerramento das urnas às 18:00, quando ainda se verificavam longas filas nas assembleias de voto.

“O sector hoteleiro alberga um número significativo de cidadãos eleitores, pelo que deve haver uma estratégia implementada para garantir que o horário de serviço não seja um entrave ao exercício do voto”, defendeu.

O presidente da UCID recordou ainda situações ocorridas nas legislativas de 2021, nas quais vários eleitores receberam informações erradas, através de telemóveis, sobre os seus locais de votação, o que, segundo afirmou, levou muitos a desistirem de votar por não encontrarem os seus nomes nas listas indicadas.

Para João Santos Luís, este tipo de ocorrência não pode ser tratado como “mero incidente técnico”, uma vez que afecta directamente a participação eleitoral e contribui para o agravamento da abstenção.

A declaração abordou igualmente alegadas deficiências na elaboração dos cadernos eleitorais, apontando falta de clareza, rigor e actualização eficaz das informações, o que, na sua perspectiva, compromete a credibilidade do processo.

O dirigente partidário denunciou ainda práticas como a compra de consciências e de documentos de identificação, considerando que tais actos atentam contra a liberdade de voto e distorcem a vontade popular.

“Quando um eleitor é impedido de votar em consciência, não é apenas um direito individual que está a ser violado, é a própria democracia que está a ser ferida”, afirmou.

João Santos Luís manifestou preocupação com o que classificou como ausência de respostas firmes e céleres por parte das entidades competentes perante denúncias de ilegalidades eleitorais, referindo-se à Comissão Nacional de Eleições, à Direcção-Geral de Apoio ao Processo Eleitoral e às autoridades policiais.

Segundo o presidente da UCID, situações de inércia, actuação tardia ou complacência institucional contribuem para um sentimento de impunidade e para a percepção de que infringir a lei eleitoral compensa.

Apesar das críticas, o líder partidário assegurou que a UCID não pretende criar instabilidade política, mas sim alertar atempadamente as instituições com responsabilidades no processo eleitoral para que assumam plenamente o seu papel.

“As eleições legislativas de 17 de Maio de 2026 devem ser preparadas com seriedade, transparência e rigor. O eleitor cabo-verdiano merece confiança, respeito e garantias reais de que o seu voto conta”, concluiu, apelando à correcção de falhas, prevenção de abusos e actuação firme das entidades competentes.

Fonte: Inforpress // Redação Tiver

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