A violência política, a pressão familiar e a dificuldade de conciliação com a vida privada foram apontadas hoje, em São Salvador do Mundo, como os principais obstáculos à participação feminina nos cargos políticos de maior visibilidade no país. As conclusões saíram de uma jornada de reflexão sobre a participação política sob a lente do género, promovida pelo Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG), no âmbito do Dia Internacional da Democracia.
Durante a jornada de reflexão sobre a participação política com base no género, a presidente do ICIEG, Mariza Carvalho, destacou que embora a Lei da Paridade tenha trazido avanços significativos nas eleições autárquicas de 2024, a representação plena na presidência das câmaras municipais continua a ser um desafio.
Na mesma linha, o representante do Escritório Conjunto do PNUD, UNICEF e Fundo de População das Nações Unidas em Cabo Verde, Frédéric Mbassa, alertou para o impacto crescente da violência nos espaços digitais, citando dados globais que indicam que cerca de 60% das mulheres com acesso à Internet já foram vítimas de violência ‘online’. O responsável destacou ainda que, apesar de Cabo Verde estar próximo da paridade a nível municipal, o cenário mundial continua preocupante, com apenas 27,3% de representação feminina nos parlamentos, defendendo ações preventivas, educativas e regulamentares para garantir ambientes políticos mais seguros e inclusivos.
Para o presidente da Câmara Municipal de São Salvador do Mundo, Ângelo Vaz, a paridade não se esgota na lei, sublinhando que é necessário criar condições reais para que as mulheres participem sem medo de exposição pública, ataques pessoais ou familiares, reforçando que a presença feminina contribui para decisões mais equilibradas e consensuais.
As recomendações recolhidas neste encontro vão servir de base para a revisão do Plano Nacional de Igualdade de Género, prevista para 2026. A jornada de reflexão integra uma iniciativa nacional do ICIEG, em parceria com os municípios, a Associação Nacional dos Municípios de Cabo Verde e o Escritório Conjunto do PNUD, UNICEF e Fundo de População das Nações Unidas.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver