Pelo menos 4,2 milhões de pessoas terão de fugir das suas casas nos próximos dois anos, devido a guerras, conflitos, violência e perseguição, estimou hoje o Conselho Dinamarquês para os Refugiados (CDR).
No seu relatório anual, o CDR afirma que os novos deslocados internos, sem ter em conta a situação atual no Médio Oriente, somam-se a cerca de 117,3 milhões de pessoas já nessa situação em todo o mundo.
As projeções do DRC baseiam-se nos dados disponíveis até ao final de 2025 e, por isso, são anteriores à guerra no Médio Oriente, que “está a provocar mais deslocações e a agravar a situação humanitária”, observou a secretária-geral da ONG, Charlotte Slente, em comunicado.
“Há um caminho que pode trazer a região de volta da beira do abismo: o atual cessar-fogo (entre Estados Unidos e Irão) deve tornar-se permanente e deve ser alargado ao Líbano, onde uma em cada cinco pessoas foi deslocada pelo conflito. As famílias no Líbano e no Irão devem poder regressar a casa e reconstruir as suas vidas em paz”, disse ela.
O relatório sublinha que as novas deslocações estão cada vez mais espalhadas por vários países, em vez de se concentrarem em algumas grandes crises, como acontecia anteriormente.
Assim, em 2025, o Myanmar e o Sudão representavam, em conjunto, mais de metade do aumento total projetado, enquanto nas projeções atuais, a sua quota combinada representa apenas um quarto do total.
Além disso, os cortes na ajuda internacional têm um impacto direto nas deslocações.
Nos cinco países com as maiores projeções de aumento de deslocações em 2025 (Ucrânia, Myanmar, Sudão do Sul, Nigéria e Mali), o financiamento para os esforços de paz desceu, em média, 23% em 2024.
Por outro lado, nos cinco países onde a quebra foi mais acentuada (Somália, Sudão, Afeganistão, Síria e República Democrática do Congo), este financiamento aumentou, em média, 15%.
“A comunidade internacional enfrenta um fracasso catastrófico na proteção das populações mais vulneráveis do mundo”, afirmou a Slente, referindo que a violência contra civis aumentou 14% em 2025.
“Para as famílias que fogem da guerra apenas com a roupa do corpo, há pouca esperança: a rede de segurança internacional que existia está cheia de lacunas, enquanto a ajuda humanitária está a diminuir”, lamentou.
As organizações humanitárias enfrentam cortes significativos na ajuda internacional, principalmente desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca, no ano passado.
Fonte: Notícias ao Minuto