O candidato do MpD por Santiago Sul denunciou hoje casos de intimidação, violência, perseguição e distribuição de bens para condicionamento do voto, acusando ainda o PAICV de utilização indevida de recursos públicos durante a campanha eleitoral na Praia.
A denúncia foi feita por Abraão Vicente, em conferência de imprensa, na qual afirmou que militantes do MpD têm sido alvo de perseguições, ameaças físicas e intimidação em vários bairros da capital, nomeadamente em Ponta d’Água, Calabaceira, Safende e Achada Limpo.
O dirigente denunciou também a alegada actuação de grupos identificados como “thugs” e alertou para aquilo que considera ser um agravamento do ambiente político durante a campanha para as legislativas de 2026.
Segundo o candidato, os incidentes mais graves ocorreram no domingo, 10, em São Martinho Pequeno, onde uma arruada do MpD terá sido bloqueada por um veículo identificado com símbolos do PAICV, provocando confrontos físicos entre militantes dos dois partidos.
Abraão Vicente assegurou que nem ele nem o coordenador regional do MpD, Vítor Coutinho, estiveram envolvidos nos confrontos, sustentando que a situação resultou de uma “provocação” por parte do PAICV destinada a impedir a circulação da caravana do partido numa via pública.
Abraão Vicente confirmou, neste sentido, que o gabinete jurídico do MpD deverá apresentar uma queixa formal junto da Polícia Nacional relativamente aos acontecimentos registados em São Martinho Pequeno, apelando à serenidade e para que não haja provocações para evitar situações semelhantes.
O dirigente contestou igualmente declarações da dirigente do PAICV, Carla Lima, sobre dificuldades de acesso a materiais de campanha retidos na Alfândega, afirmando que “todo o material de campanha importado pelo PAICV já está na rua”.
“Segundo as informações que temos, os materiais retidos na Alfândega não seriam materiais de campanha, mas sim bens destinados a condicionar o voto, incluindo materiais desportivos, de construção e produtos alimentares (…) existem ainda suspeitas de que possam existir armazéns já identificados, como terá acontecido em eleições anteriores, onde estaria a ocorrer distribuição de bens”, denunciou.
O candidato acusou também o PAICV de utilizar estruturas e funcionários da Câmara Municipal da Praia em actividades político-partidárias, apontando a presença de militantes com camisolas partidárias em mercados municipais e o uso de viaturas camarárias na campanha.
Durante a conferência, apelou às autoridades policiais, órgãos de comunicação social e instituições eleitorais para reforçarem a vigilância e garantirem a livre circulação das caravanas partidárias durante a última semana da campanha.
O candidato aproveitou igualmente para denunciar a circulação de alegadas sondagens falsas atribuídas ao PAICV, não depositadas no ARC e não autorizadas pelas autoridades, afirmando que a divulgação de estudos não autorizados constitui crime eleitoral.
Nas eleições legislativas do dia 17 de Maio, cinco partidos políticos – PAICV, MpD, UCID, PTS e PP – concorrem aos 72 mandatos de deputados, distribuídos por 13 círculos eleitorais, sendo dez no território nacional e três na diáspora.
As últimas eleições legislativas em Cabo Verde ocorreram a 18 de abril de 2021, tendo o Movimento para a Democracia (MpD) vencido com maioria absoluta ao eleger 38 deputados, contra 30 do PAICV e quatro da UCID.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver