PJ PEDE INVESTIMENTOS PARA ENFRENTAR CRIMINALIDADE TECNOLÓGICA

O director nacional da Polícia Judiciária reconheceu hoje que a instituição enfrenta desafios crescentes no combate à criminalidade tecnológica. Manuel da Lomba defendeu mais investimento, reforço de quadros especializados e cooperação internacional para assegurar “uma resposta eficaz e sustentada”.

Em declarações à imprensa, no âmbito das comemorações dos 33 anos da instituição, Manuel da Lomba sublinhou que a criminalidade digital representa um fenómeno global em permanente evolução, exigindo actualização constante de conhecimentos, equipamentos e estratégias operacionais.

Segundo explicou, a complexidade dos crimes associados ao ambiente digital, desde fraudes eletrónicos a esquemas de burla transnacional e uso indevido de dados, impõe à PJ “um esforço contínuo de capacitação2 técnica e tecnológica.

Relativamente ao uso da inteligência artificial, o responsável considerou tratar-se de “uma realidade incontornável à escala mundial”, que exige “formação especializada, regulamentação adequada e reflexão ética no contexto da investigação criminal”.

O tema integra a conferência promovida no quadro das celebrações do 33.º aniversário da PJ, sob o lema da defesa do Estado de Direito, centrando-se nos impactos do mundo digital na actividade investigativa.

“Vamos nos preparando sempre, porque é um fenómeno mundial e novo que ainda estamos a descobrir”, afirmou, destacando que a instituição tem procurado antecipar tendências e adaptar metodologias.

A mesma fonte realçou ainda que a posição geoestratégica de Cabo Verde, no Atlântico, constitui “um activo relevante” no combate à criminalidade transnacional, devendo ser potenciada através de parcerias estratégicas.

“O país não precisa de ajuda, precisa de cooperação”, afirmou, sublinhando o fortalecimento das relações com a Polícia Judiciária e com autoridades brasileiras.

Segundo a mesma fonte, 12 especialistas da PJ portuguesa participaram recentemente na formação de novos quadros cabo-verdianos, enquanto vários profissionais nacionais beneficiaram de acções de capacitação no Brasil, no quadro da partilha de experiências e transferência de conhecimento técnico.

Apesar dos avanços, aquele responsável admitiu que os investimentos actuais ainda não correspondem plenamente às exigências da instituição.

“O investimento não chega sempre à necessidade”, declarou, explicando que os equipamentos utilizados na investigação criminal são dispendiosos e que a sofisticação crescente dos ilícitos requer meios humanos, materiais e tecnológicos adicionais.

Embora tenham sido integrados 75 novos profissionais no último ano, Manuel da Lomba considerou que o número permanece insuficiente face à dimensão dos desafios enfrentados pela PJ, sobretudo no domínio da criminalidade tecnológica.

Fonte: Inforpress // Redação Tiver

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