A coesão pode sustentar mais proezas no Mundial2026 de futebol do estreante Cabo Verde, adversário da campeã Argentina nos 16 avos de final, confia o ex-internacional e selecionador jovem português Oceano Cruz, nascido no país africano.
“Isto começa agora a complicar um bocadinho mais e a Argentina é das equipas em melhor forma. Vejo a vida muito difícil para Cabo Verde, mas é possível acreditar e continuar a sonhar, desde que mantenham a coesão e união mostradas nos últimos jogos”, disse à agência Lusa o antigo médio, de 63 anos, que somou 54 internacionalizações e oito golos e comandou as seleções de sub-21 (2009-2010) e de sub-20 (2023-2026) portuguesas.
A campeã mundial e bicampeã sul-americana Argentina, detentora de três títulos (1978, 1986 e 2022), enfrenta Cabo Verde na sexta-feira, às 18:00 locais (21:00 em Cabo Verde), no Estádio Hard Rock, em Miami Gardens, nos Estados Unidos, em encontro dos 16 avos de final do Mundial2026, fase inédita na história da prova, disputada pela primeira vez por 48 seleções.
“Lionel Messi está num grande momento e já marcou seis golos, mas a Argentina não é só Messi e a equipa toda joga bem. Vai ser um osso duro de roer, mas há que disputar esta partida. Cabo Verde tem de respeitar o adversário, jogar como equipa, estar coeso e aproveitar as oportunidades que terá. Se mostrar um aproveitamento muito grande, poderá acontecer uma surpresa, mas vejo as coisas muito difíceis, sem dúvida”, salientou.
A Argentina rumou à fase a eliminar como vencedora do Grupo J, ao somar nove pontos, num percurso iniciado com um triunfo sobre a Argélia (3-0), selado pelo ‘hat-trick’ de Messi, que fez um ‘bis’ à Áustria (2-0) e fechou a vitória sobre a estreante Jordânia (3-1), frente à qual foi suplente utilizado.
Messi, com 39 anos celebrados em 24 de junho e recordista de Bolas de Ouro (oito), isolou-se como o melhor marcador de sempre em fases finais de Mundiais, registando agora 19, por entre um recorde de 29 jogos entre as edições de 2006, 2010, em que não anotou, 2014, 2018, 2022 e 2026.
Na ‘poule’ H, os empates impostos à campeã europeia Espanha (0-0), vitoriosa em 2010, ao Uruguai (2-2), vencedor em 1930 e 1950, e à Arábia Saudita (0-0) possibilitaram a Cabo Verde avançar no segundo lugar, com três pontos, sendo o primeiro debutante em fases a eliminar desde 2010.
“Não estou surpreendido e tenho ficado muito satisfeito. A seleção enche todos os cabo-verdianos de orgulho e está a fazer um trajeto sensacional. É a única estreante que passou à fase seguinte e estava num grupo com a Espanha, atual campeã da Europa, e o Uruguai, que está sempre no topo e aspira aos primeiros lugares nos Mundiais. Cabo Verde apurou-se com todo o mérito. Vai ter uma tarefa muito difícil agora, mas sonhar não custa”, analisou Oceano Cruz, nascido em São Vicente, uma das 10 ilhas do país.
Invictos há nove partidas oficiais, incluindo três nesta edição, os ‘tubarões azuis’ vão defrontar um campeão do mundo pela terceira vez, cenário jamais observado por qualquer estreante na história dos Mundiais, que nunca tiveram um país tão pequeno em população e área a suplantar a fase de grupos.
“Cabo Verde precisa deste resultado. As pessoas que gerem a seleção e o Governo têm de acreditar mais no futebol e criar infraestruturas, porque o jogador cabo-verdiano é talentoso, está espalhado por esse mundo fora e demonstra quase toda a sua qualidade fora do país. Precisam de melhores condições de trabalho e de uma aposta muito grande na formação. Isso permitirá que uma nação tão pequena continue a ter excelentes futebolistas e a sonhar em estar presente nestas grandes competições”, reconheceu o ex-médio do Sporting, entre outros clubes, e filho de pais cabo-verdianos.
Cabo Verde tornou-se o 14.º país africano, e quarto lusófono, a actuar na principal prova internacional de seleções e é um dos nove representantes daquele continente na fase a eliminar do Mundial2026, em dez possíveis, no momento mais mediático em 48 anos de atividade da respetiva seleção nacional, instituída em 1978, três anos depois da independência de Portugal.
Inforpress // Redação Tiver