O ministro da Educação, Formação Profissional e Ensino Superior advogou hoje a necessidade de uma “reforma profunda” do sistema educativo com maior ligação entre a escola e o mundo do trabalho e reforço do ensino técnico-profissional.
Arnaldo Brito defendeu este posicionamento na ilha do Fogo após um encontro com o presidente da Câmara Municipal de São Filipe, Nuías Silva, e considerou que o actual modelo escolar é “muito fechado”, por concentrar grande parte do processo educativo na sala de aula, com os alunos sentados a assistir às aulas e posteriormente a reproduzir conhecimentos através de provas.
Para o governante, uma das mudanças fundamentais passa pela aproximação entre a escola e o mundo do trabalho, onde os alunos poderão desenvolver o “saber fazer”, além de adquirir valores essenciais para a vida.
O ministro lembrou que esta orientação está prevista na Constituição da República, nomeadamente no artigo 78.º, e na Lei de Bases do Sistema Educativo, que estabelecem a importância da ligação entre a escola e o mundo do trabalho.
Arnaldo Brito defendeu igualmente uma escola “mais aberta, criativa e capaz de preservar a curiosidade e o espírito crítico naturais” das crianças.
Considerou que, sobretudo nos primeiros anos do ensino básico, o ambiente escolar deve proporcionar maior liberdade para experimentar, questionar e procurar conhecimento.
No domínio do ensino técnico-profissional, o ministro revelou preocupação com a actual proporção de estudantes nesta via.
O ministro da Educação, Arnaldo Brito, defendeu hoje a manutenção da proibição do uso de telemóveis até ao nono ano de escolaridade, considerando que a exposição precoce e excessiva às telas pode prejudicar o desenvolvimento das crianças.
De acordo com dados apresentados, dos cerca de 30 mil a 32 mil alunos do ensino secundário em Cabo Verde, apenas cerca de 1.400 frequentam o ensino técnico-profissional.
Arnaldo Brito defendeu que esta realidade deve ser gradualmente invertida a médio e longo prazo, através da construção de novas escolas técnicas e da transformação de algumas escolas secundárias em estabelecimentos com as duas vias de ensino.
Reconheceu que a mudança terá custos elevados, mas considerou tratar-se de um investimento estratégico no desenvolvimento do país.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver