CENTRAIS SINDICAIS DOS PALOP DEBATEM IMPACTOS DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E ECONÓMICAS NO EMPREGO

Centrais sindicais dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) estão reunidos na Praia, para debaterem sobre os impactos que as transições climáticas, económicas, ambientais, demográficas e tecnológicas, tem tido no emprego e nas condições de trabalho.

Em declarações à imprensa, a secretária-geral da União Nacional dos Trabalhadores de Cabo Verde – Central Sindical, (UNTC-CS), Joaquina Almeida, trata-se de um encontro oportuno sendo que o mundo enfrenta profundos desafios com impactos negativos no emprego e nas condições laborais.

Segundo afirmou, África é o continente mais jovem do mundo, sendo que mais de 60 por cento (%) da sua população tem menos de 25 anos e em 2050, um em cada três jovens no mundo será africano.

Perante esse potencial, Joaquina Almeida defendeu que é necessário respostas concretas, criação de empregos dignos, protecção social e oportunidades reais para as novas gerações.

Apontou que as alterações climáticas agravam a precariedade, provocam perdas de rendimentos e ameaçam os meios de subsistência, sobretudo nas comunidades rurais onde as mulheres são particularmente as mais afectadas, enfrentando maior carga de trabalho e menor oportunidades de acesso à terra, ao crédito, à tecnologia e à formação.

Neste sentido, a secretária-geral da UNTC-CS considerou que a transição deve ser justa acima de tudo, social e inclusiva, colocando as pessoas no centro das decisões e garantindo que ninguém fique para trás.

“Neste processo, os sindicatos têm um papel fundamental, sendo que somos a voz dos trabalhadores e devemos ser reconhecidos como parceiros efectivos na definição e implementação das políticas públicas que afectam o mundo do trabalho”, apontou.

Joaquina Almeida disse ainda esperar que o encontro de três dias, constitui um momento de partilhar experiências entre os PALOP, fortalecer aliança e construir respostas comuns aos desafios da informalidade, da transição digital e das alterações climáticas.

Por seu turno, a ministra da Família, Inclusão, Desenvolvimento Social e Trabalho, Adélsia Almeida, reconheceu que a crescente digitalização da economia, a expansão das plataformas digitais, os impactos das alterações climáticas e nas novas formas de organização do trabalho colocam desafios significativos aos trabalhadores, aos empregadores e às próprias organizações sindicais.

Neste sentido, considerou ser essencial reforçar a capacidade de intervenção das organizações sindicais e aprofundar os mecanismos de cooperação que permitam responder de forma eficaz às exigências num contexto de constante transformação.

Apontou que a economia informal cabo-verdiana é composta sobretudo por mulheres e chefes de família e a principal estratégia do Governo é combater a pobreza, a promoção do emprego, digno e bem remunerado.

O encontro contou também com a presença da directora-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT-ACTRAV), Claire Ruppert, e do secretário geral da Organização da Unidade Sindical Africana (OUSA).

Inforpress // Redação Tiver

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