Dezenas de civis foram mortos ou feridos em ataques aéreos no leste do Afeganistão, incluindo a uma universidade, admitiu hoje a ONU, com Cabul a responsabilizar o Paquistão, que rejeita as acusações.
A Missão das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA), com um mandato para monitorizar ataques contra civis, não divulgou, para já, um número exato de vítimas.
“De acordo com o direito internacional humanitário, os civis e as infraestruturas civis, incluindo as instituições de ensino, devem ser protegidos em todas as circunstâncias”, declarou a UNAMA,numa mensagem na rede social X.
O Governo afegão informou que sete civis morreram e 85 ficaram feridos na segunda-feira, na sequência de bombardeamentos e disparos de ‘rockets’ atribuídos às forças paquistanesas na província de Kunar, junto à fronteira.
Segundo o porta-voz do Governo afegão, Hamdullah Fitrat, os ataques, ocorridos a meio da tarde, atingiram “residências de civis e a universidade” na cidade de Asadabad.
O Ministério da Informação do Paquistão negou ter visado zonas residenciais ou a Universidade de Asadabad, classificando as acusações como “mentiras descaradas”.
Alunos da universidade relataram momentos de pânico durante os ataques.
“O professor estava a dar aulas (…) e ouviu-se um barulho forte; deitámo-nos todos no chão”, disse Irfanullah, de 20 anos, estudante de psicologia.
Outro estudante, Ibadullah, de 23 anos, referiu que fugiu da sala com os colegas, abandonando os livros.
Um jornalista da agência France Presse (AFP) constatou que várias salas de aula apresentavam janelas partidas e que painéis solares no telhado ficaram danificados.
Islamabade acusa Cabul de abrigar combatentes do movimento talibã paquistanês, responsável por ataques mortais no Paquistão, alegação rejeitada pelas autoridades afegãs.
A violência intensificou-se desde 26 de fevereiro, com o Paquistão a realizar bombardeamentos recorrentes na capital afegã e em zonas fronteiriças.
Fonte: Notícias ao Minuto