CV ENTRE OS MELHORES EM DEMOCRACIA NO ESPAÇO LUSÓFONO

Cabo Verde mantém uma posição relativamente sólida no panorama democrático internacional, mas o desempenho do país revela uma fragilidade cada vez mais evidente: os cidadãos participam pouco na vida democrática para além das eleições. É uma das principais conclusões que resultam do Global State of Democracy 2026 (GSoD), que coloca Cabo Verde entre os países com melhor desempenho democrático do espaço lusófono, embora com diferenças significativas entre as várias dimensões avaliadas.

O relatório, que analisa 173 países, coloca Cabo Verde no 38.º lugar mundial em Representação, no 52.º em Direitos, também no 52.º em Estado de Direito, mas apenas no centésimo décimo quinto  lugar em Participação. A International IDEA considera que o país apresenta um desempenho elevado na Representação e intermédio nas restantes três dimensões.

Na Representação, Cabo Verde surge com um desempenho particularmente positivo. A dimensão avalia aspetos como a credibilidade das eleições, a inclusão do sufrágio, a liberdade dos partidos políticos, a existência de um Governo eleito e a eficácia do Parlamento. O país está no 38.º lugar entre 173 Estados, praticamente no mesmo patamar da Maurícia, que ocupa a 37.ª posição.

Já nos Direitos, Cabo Verde aparece na 52.ª posição e obtém a mesma classificação no Estado de Direito. São resultados que colocam o arquipélago à frente de vários países africanos e de parte significativa dos países de língua portuguesa.

É, contudo, na Participação que aparece a principal vulnerabilidade. Cabo Verde ocupa o centésimo décimo quinto, lugar, muito distante da posição alcançada nas outras dimensões.

Na prática, a fotografia traçada pelo relatório é a de uma democracia onde as instituições eleitorais e a representação política funcionam relativamente bem, mas onde existe maior dificuldade em manter os cidadãos envolvidos na vida pública entre uma eleição e outra.

Outro sinal apontado pelo relatório é a deterioração do indicador de Parlamento Eficaz em relação a cinco anos antes. Segundo a International IDEA, essa evolução pode indicar uma menor capacidade do poder legislativo para fiscalizar o Executivo.

A comparação com os restantes países lusófonos mostra uma posição globalmente favorável de Cabo Verde, embora com algumas particularidades.

Expresso das Ilhas // Redação Tiver

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