O Ministério da Saúde reafirmou hoje o seu compromisso em transformar a eliminação do cancro do colo do útero numa prioridade, destacando a necessidade urgente de combater as desigualdades de acesso nas ilhas.
A posição foi defendida pela representante do ministro da Saúde Heidy Teixeira durante a abertura do “workshop” focado na definição técnica para a elaboração do Plano Nacional de Aceleração da Eliminação do Cancro do Colo do Útero como problema de saúde pública.
“O país enfrenta assimetrias regionais marcantes, limitações na resposta especializada e falhas no seguimento de doentes com diagnóstico positivo”, afirmou a representante do Ministério da Saúde.
Para inverter este cenário, afirmou que o plano a ser implementado como projecto-piloto na ilha da Boa Vista prevê garantir que todas as mulheres tenham acesso aos mesmos padrões de prevenção e tratamento, independentemente da sua ilha de residência ou condição socioeconómica.
Heidy Teixeira indicou que, apesar do cenário desafiador, Cabo Verde regista avanços assinaláveis, com destaque para a introdução da vacina contra o HPV no Programa Alargado de Vacinação em 2021.
Em 2024, o país atingiu uma cobertura vacinal histórica de 99% entre adolescentes dos 10 aos 14 anos (abrangendo rapazes e raparigas).
O último inquérito nacional sobre os factores de risco das doenças não transmissíveis revelou que apenas 52,2% das mulheres entre os 30 e os 49 anos realizaram pelo menos um exame de rastreio na vida, um número que o Ministério da Saúde e os parceiros locais pretendem elevar drasticamente, nos próximos anos, rumo a um modelo mais organizado, equitativo e eficaz.
Face ao diagnóstico, o plano visa atingir uma taxa de incidência inferior a quatro casos por 100 mil mulheres ao ano através das metas “90-70-90” até 2030, ou seja, vacinar 90% das raparigas até aos 15 anos, rastrear 70% das mulheres e tratar adequadamente 90%.
A representante da OMS em Cabo Verde, Ann Lindstrand, anunciou para o dia 27 o lançamento do projecto-piloto na Boa Vista e avançou que está previsto realizar testes de rastreio a 1.600 mulheres na ilha.
“Cabo Verde foi seleccionado como o terceiro país a nível global a integrar esta iniciativa, que nasce de uma parceria financeira e técnica entre a OMS e o governo de Espanha, através da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID)”, disse reiterando que o cancro do colo do útero é uma doença altamente prevenível.
Presente no evento o representante da Agência Espanhola de Cooperação Internacional, Fernando Regúlez, destacou de forma particular a parceria financeira entre a OMS, Cabo Verde e o Governo Espanhol.
O Registo Oncológico de Cabo Verde identificou 1.476 novos casos de cancro entre 2022 e 2024, sendo 136 do colo do útero.
Inforpress // Redaçao Tiver