EUA E IRÃO ANUNCIAM ACORDO DE PAZ

Após semanas de negociações, EUA e Irão anunciaram este domingo um acordo que estabelece o fim “imediato e permanente” das operações militares. A reabertura do Estreito de Ormuz está prevista para sexta-feira (19.06).

O acordo de paz foi confirmado pelo governo norte-americano e por Teerão, bem como pelo mediador, o Paquistão, e garante o fim “imediato e permanente” das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano.

Anunciado no dia em que o Presidente norte-americano, Donald Trump, completou 80 anos, o acordo visa estabelecer as bases para futuras negociações que abordem questões como o programa nuclear de Teerão. Poucas horas antes, o conflito ameaçava escalar ainda mais.

“O acordo com a República Islâmica do Irão está agora concluído. Parabéns a todos!”, escreveu Trump na sua rede social Truth, pouco depois de o Paquistão, que serviu de mediador, ter anunciado que ambos os lados tinham chegado a um acordo.

“Autorizo ​​​​plenamente a reabertura, sem taxas de trânsito, do Estreito de Ormuz e, simultaneamente, ​​​​o levantamento imediato do bloqueio naval dos EUA. Navios do mundo, liguem os vossos motores. Que o petróleo flua!”, escreveu Trump.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, declarou na plataforma X que ambos os lados concordaram com o fim imediato e definitivo das operações militares em todas as frentes. Isto também se aplica ao conflito entre Israel e a milícia pró-Irão Hezbollah, no Líbano.

Este é o sinal mais forte até agora de que a guerra no Médio Oriente está a chegar ao fim, após mais de três meses. Está prevista a realização de uma cerimónia de assinatura em Genebra, na Suíça, na sexta-feira (19.06)

Vários especialistas alertaram já contra o otimismo prematuro, lembrando que o acordo é apenas uma etapa provisória de um processo diplomático que ainda enfrentará os seus maiores desafios.

Um memorando de entendimento prevê a libertação imediata de 12 mil milhões de dólares em ativos congelados, informou a agência de notícias iraniana Mehr esta segunda-feira.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou o acordo no domingo e disse esperar “que as partes aproveitem este novo impulso e redobrem os seus esforços no sentido de uma resolução definitiva do conflito”.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que planeia assistir à assinatura do acordo com o Irão em Genebra e acrescentou que “é possível que o Presidente [Trump] também compareça”.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, agradeceu a Washington e Teerão “por terem encontrado uma solução diplomática para o conflito”.

Um dia antes do início da cimeira do G7 em França, o Presidente Emmanuel Macron afirmou que o acordo seria um tema central de discussão entre as grandes potências durante a reunião de três dias.

“O objetivo será analisar as consequências deste acordo, o apoio ao Líbano, a reabertura a longo prazo do Estreito de Ormuz e, obviamente, a conclusão de um acordo sobre os programas nuclear e de mísseis balísticos do Irão”, disse o líder francês.

Esta segunda-feira, receberá Donald Trump e os líderes da Alemanha, Canadá, Itália, Japão e Reino Unido na cidade situada nas margens do Lago de Genebra.

O bloqueio do Estreito de Ormuz afetou a economia global, desde a subida dos preços dos combustíveis. que impulsionou a inflação nos Estados Unidos e noutros países, até à sobrecarga nas cadeias de abastecimento de produtos como fertilizantes, cruciais para a produção de alimentos em regiões distantes do Médio Oriente.

“O que poderemos fazer é reduzir os custos da energia – não apenas agora, mas a longo prazo – e criar um verdadeiro motor de prosperidade no Médio Oriente”, disse JD Vance à Fox News.

Os detalhes do acordo, alcançado após negociações tensas, continuam a ser desconhecidos. Ambos os lados divulgaram informações contraditórias sobre o conteúdo do acordo. Teerão insistiu sempre em manter o controlo sobre o Estreito de Ormuz, uma posição que os Estados Unidos consideraram inaceitável.

Fonte: DW

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