Perto de 30 técnicos das áreas de psicologia e intervenção social, com apoio de especialistas de intervenção espiritual disponibilizados pelas confissões religiosas, estão envolvidos no acompanhamento das vítimas do acidente ocorrido no dia 05 de Setembro, no Fogo.
A informação foi avançada pela ministra da Família, Desenvolvimento Social e Trabalho, Adélsia Almeida, que explicou que cinco equipas estão actualmente no terreno, com intervenções no Hospital Regional São Francisco de Assis e nas comunidades afectadas.
Uma das equipas está dedicada ao acompanhamento dos doentes internados e das pessoas que participaram nas operações de resgate, enquanto a outra, composta por psicólogos e com apoio de um psiquiatra, acompanha de forma sistemática os casos considerados urgentes e identificados na segunda-feira.
Duas outras equipas encontram-se distribuídas pelas comunidades, desde Velho Manuel até Monte Preto, dando continuidade ao diagnóstico e às intervenções iniciadas nos primeiros dias.
Uma quinta equipa, constituída por profissionais de enfermagem e acompanhada por um psiquiatra, desloca-se às diferentes localidades através do posto móvel disponibilizado pela Câmara Municipal de São Filipe, para prestar cuidados primários e responder a situações médicas urgentes.
Segundo Adélsia Almeida, existem duas frentes distintas de intervenção, uma nas comunidades e outra no hospital, onde funciona uma equipa “bastante coesa” para acompanhar as pessoas que procuram as estruturas de saúde.
A partir desta quarta-feira, 09, dois especialistas estarão disponíveis na Delegacia de Saúde de São Filipe para apoiar as pessoas que sintam necessidade de acompanhamento psicossocial.
A ministra reconheceu que foram identificadas situações “bastante complexas”, mas considerou que estão dentro do esperado face ao contexto vivido pelas famílias, crianças, pais, encarregados de educação e toda a comunidade educativa.
A intervenção de emergência deverá prolongar-se por oito a dez dias, seguindo-se um plano de acompanhamento de médio e longo prazo, com particular atenção à comunidade educativa e ao processo de retoma das aulas.
Para esta fase, está a ser mobilizada uma equipa multidisciplinar que integra técnicos dos ministérios da Educação, Família, Saúde e de Reinserção Social e das delegacias de saúde da ilha, além de profissionais do hospital.
O trabalho conta ainda com especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), nas áreas de saúde e protecção social, bem como apoio da Universidade Católica de Cabo Verde e de confissões religiosas.
Adélsia Almeida destacou igualmente o trabalho de acção social desenvolvido em parceria com a Câmara Municipal de São Filipe. Ainda hoje, uma equipa acompanhada por médicos deslocou-se às residências de famílias com necessidades médicas e sociais, garantindo que os apoios chegam directamente aos afectados.
A ministra adiantou que estão previstas outras acções de médio e longo prazo, que serão anunciadas posteriormente pelas autoridades.
Entretanto, multiplicam-se os gestos de solidariedade para com os afectados pelo desastre que causou 25 mortos e 14 feridos. Hoje, um grupo de mulheres mobilizou-se para oferecer o pequeno-almoço aos familiares que acompanham os internados no Hospital Regional São Francisco de Assis.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver