A Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (Ajoc) promove, a partir de hoje, na Praia, uma formação sobre “Jornalismo e Redes Sociais”, visando alertar para os desafios da desinformação e da utilização das plataformas digitais.
A formação está a ser promovida em parceria com o Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas (Cenjor) de Portugal, decorre na sede da AJOC, é ministrada pelo jornalista do Expresso Pedro Miguel Coelho e conta com a participação de profissionais de comunicação social de diferentes ilhas, mas também de estudantes de jornalismo.
Em declarações à Inforpress, o formador considerou “fundamental preparar os profissionais para os desafios da informação nas plataformas digitas”, já que as redes sociais democratizam o acesso à informação, permitindo que qualquer pessoa produza conteúdos através do telemóvel.
“O jornalismo quer levar a informação mais clara e verdadeira às pessoas”, afirmou, defendendo que os profissionais devem ter cuidado na forma como utilizam as redes sociais, sem ignorar a importância destas plataformas para o público.
O jornalista português alertou que estas plataformas não são neutras, uma vez que os algoritmos privilegiam, muitas vezes, conteúdos que geram emoções e choque, nem sempre coincidentes com os objectivos do jornalismo.
“Os jornalistas também estão expostos à desinformação e precisam de reforçar os procedimentos de verificação”, advertiu Pedro Miguel Coelho, explicando que essa verificação deve ser feita, sobretudo perante os avanços da edição de vídeo e da inteligência artificial, que dificultam a distinção entre conteúdos verdadeiros e falsos.
Segundo o formador, é necessário avaliar a credibilidade das fontes, confirmar a actualidade dos vídeos e proceder a uma dupla verificação antes de divulgar qualquer informação e “evitar agir antes de pensar”.
Na sua perspectiva, essa faz parte das atitudes essenciais para enfrentar o actual volume de conteúdos, alguns deles maliciosos.
Sobre o futuro da profissão, considerou que os jornalistas enfrentam o desafio de acompanhar a constante mudança das redes sociais e dos seus algoritmos, num contexto em que muitas redacções têm equipas reduzidas e dificuldades de remuneração.
Para Pedro Miguel Coelho, estas transformações aumentam as exigências sobre os profissionais, que precisam de se actualizar continuamente, apesar das limitações de recursos e das condições de trabalho.
A formação decorre durante cinco dias com o objectivo de reforçar as competências dos profissionais sobre a utilização das redes sociais na produção e disseminação de informação.
Inforpress // Redação Tiver