O Governo demonstrou-se hoje preocupado com a tentativa de invasão da residência do embaixador da Guiné-Bissau em Cabo Verde, mas garantiu que a segurança de Ibraima Sanó e da sua família já foi reforçada.
Em declarações à imprensa na cidade da Praia, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Comunidades e Defesa Nacional, Manuel Amante da Rosa, classificou o episódio como uma tentativa de “desestabilização do país”.
Conforme assegurou, o Governo já tomou medidas para assegurar a protecção do diplomata, acrescentando que compete ao Governo prover a maior segurança a qualquer diplomata, especialmente quando é embaixador acreditado aqui em Cabo Verde.
Manuel Amante da Rosa considerou que os acontecimentos exigem atenção, sobretudo tendo em conta as informações que têm circulado nas redes sociais sobre a situação da comunidade guineense em Cabo Verde.
O ministro confirmou ainda que não há, até ao momento, registo de cidadãos guineenses mortos ou assassinados internamente, por autoridades cabo-verdianas e considerou que existe uma tentativa de desestabilização do país.
“Há grupos que estão identificados dentro da comunidade que certamente terão tentado fazer essa desestabilização e nós estamos atentos a isso”, declarou, apontando igualmente para a possibilidade de questões internas da Guiné-Bissau estarem a ser transferidas para Cabo Verde.
Manuel Amante da Rosa alertou para a necessidade de precaução, tendo em conta a realização das eleições presidenciais cabo-verdianas.
Já o ministro da Administração Interna, Carlos Sena Teixeira, avançou logo após terem conhecimento da tentativa de invasão da residência do embaixador, foram mobilizadas forças policiais para pôr cobro àquela situação e “imediatamente conseguimos repor a ordem”.
Segundo o ministro, o que suscitou maior preocupação das autoridades foi a aparente organização da manifestação, referindo que, pouco tempo depois de um incidente que esteve na origem dos protestos, cerca de 60 a 70 pessoas encontravam-se junto à residência do embaixador, com palavras de ordem e numa tentativa de vandalizar o imóvel.
O governante atentou que as autoridades têm acompanhado também mensagens nas redes sociais que incentivam pessoas a fazer justiça pelas próprias mãos.
“Cabo Verde é um Estado de direito democrático”, sublinhou, garantindo que as autoridades não permitirão que qualquer pessoa, cabo-verdiana ou estrangeira, recorra à justiça pelas próprias mãos.
O ministro da Administração Interna considerou ainda que poderá existir um aproveitamento político dirigido contra o embaixador da Guiné-Bissau.
Inforpress // Redação Tiver