72 denúncias de violência sexual, 252 situações de negligência, incluindo 100 casos de maus-tratos físicos e psicológicos foram registados no primeiro semestre de 2026, segundo dados do Instituto Cabo-Verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA), divulgados na sexta-feira.
Segundo os dados do instituto, no referido período foram 252 situações de negligência, 84 conflitos familiares ou não familiares, 72 casos de abuso ou exploração sexual, 33 fugas de casa e 29 situações relacionadas com disputa da criança.
Nas denúncias de violência sexual, foram identificadas duas crianças entre os zero e os três anos, seis entre os quatro e os seis anos, 22 entre os sete e os 12 anos e 42 adolescentes entre os 13 e os 17 anos. A maioria das vítimas é do sexo feminino, com 69 meninas e três meninos.
96 crianças acolhidas mensalmente em situação de emergência
Perante situações de abandono, negligência, risco ou outras circunstâncias que comprometem a segurança e o bem-estar das crianças e adolescentes, o ICCA assegurou uma média mensal de 96 acolhimentos de carácter emergencial.
Na Praia, o Centro de Emergência Infantil acolheu 37 crianças, enquanto em São Vicente foram acolhidas 32. No Sal, o centro registou 14 acolhimentos e o Centro Juvenil Nhô Djunga recebeu 13 crianças e adolescentes.
O instituto mantém 20 Centros de Dia, que acolheram, em média, 956 crianças por mês durante o primeiro semestre. A Praia concentrou o maior número, com 348 crianças, seguida de São Vicente, com 215, e Boa Vista, com 106.
Santiago Norte registou 69 crianças acolhidas mensalmente, Fogo 54, Santo Antão 51, Maio 50, Sal 49 e São Nicolau 14.
No âmbito do acompanhamento dos casos, o ICCA realizou 1.445 encaminhamentos para diferentes serviços e instituições. A maior parte correspondeu a resoluções internas, com 518 casos, enquanto 296 foram encaminhados para a Procuradoria.
Entre os restantes encaminhamentos estão 131 reintegrações familiares, 76 casos ainda pendentes, 73 encaminhamentos para a Polícia Nacional, 57 para acompanhamento psicológico, 53 para a Curadoria de Menores e outros 53 para os tribunais.
Foram ainda registados 41 encaminhamentos para outra delegação do ICCA, 33 para outras instituições, 30 para a Polícia Judiciária, 22 para integração no Cadastro de Proteção Social, 20 para hospitais ou centros de saúde, 14 para outros programas e 12 para conservatórias.
O instituto encaminhou também sete casos para câmaras municipais, seis para integração em famílias substitutas e três para integração em lares. Não foi registado qualquer encaminhamento para adopção no período em análise.
No primeiro semestre, o ICCA prestou 181 apoios relacionados com alimentação, educação, saúde e apoio psicológico.
Foram igualmente registados 153 pedidos de relatórios, 113 processos relacionados com pensão de alimentos, 94 relativos à regulação do poder parental, 57 acompanhamentos psicológicos e 38 casos relacionados com o regime de visitas.
Entre outras situações acompanhadas pelo instituto estão 18 casos de registo de nascimento, 12 crianças com necessidades educativas especiais, cinco crianças encontradas a mendigar, três casos de perfilhação, três de tutela, dois de trabalho infantil e um caso de criança sem abrigo.
Fonte: Expresso das Ilhas // Redação Tiver