Mais de 250 mil pessoas foram deslocadas no Iémen desde agosto, após o recomeço das hostilidades entre o Governo, apoiado pela Arábia Saudita, e os rebeldes huthis, e três milhões podem ficar sem água, alertou a ONU.
mais de 250 mil pessoas foram deslocadas no Iémen desde agosto, após o recomeço das hostilidades entre Governo, apoiado pela Arábia Saudita, e os rebeldes huthis, e que três milhões podem ficar sem água, alertou a ONU.
Akhil Iyer, representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), responsável pela gestão dessa rede no Iémen, sublinhou que mais de metade das três milhões de pessoas são crianças que estão a ser vítimas da intensificação dos combates no país.
“Os combates interromperam rotas de abastecimento essenciais, incluindo o corredor entre Taiz, principal foco dos combates, e Áden”, explicou Iyer, que salientou que também escasseiam os alimentos e os combustíveis, existindo o risco de suspensão de vários serviços essenciais.
Numa conferência de imprensa destinada aos jornalistas acreditados junto das Nações Unidas em Genebra, o representante da UNICEF recordou que a falta de água potável e as más condições de higiene aumentam o risco de doenças diarreicas e de cólera.
Por sua vez, o porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tarik Jasarevic, acrescentou, na mesma conferência de imprensa, que os casos de cólera triplicaram em todo o Iémen nas últimas três semanas, registando-se também uma elevada incidência de sarampo, com 22.800 casos desde o início do ano, dengue (12.000) e difteria (400).
O porta-voz da OMS acrescentou que os 12 hospitais de Taiz, cidade do oeste do país onde se refugiaram cerca de 120 mil pessoas deslocadas devido ao conflito dispõem de combustível apenas para os próximos quatro dias.
Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), o número de deslocados internos no Iémen devido à intensificação do conflito desde agosto já ultrapassa os 250 mil, aos quais se juntam mais de quatro mil pessoas que fugiram através do mar Vermelho para o Djibuti (3.800) e a Somália (242).
O ACNUR está “profundamente preocupado com o agravamento da situação dos deslocamentos no Iémen, cujo número ultrapassou agora os 250 mil”, declarou aos jornalistas, em Genebra, o porta-voz da organização, Matthew Saltmarsh, precisando que estas pessoas foram “deslocadas no interior do Iémen entre 01 de agosto e 17 de outubro”.
Saltmarsh salientou que a província de Taiz constitui “uma grande preocupação”, por ser “o principal foco de deslocamento, responsável por 76% das saídas e acolhendo 52% das pessoas recentemente deslocadas”.
O ACNUR afirma estar a prestar ajuda financeira de emergência e a reforçar o apoio em matéria de alojamento de emergência, colaborando simultaneamente com os seus parceiros na distribuição de abrigos e bens de primeira necessidade às famílias recentemente deslocadas.
O reacender do conflito no Iémen começou depois de um bombardeamento com aviões de combate, reivindicado pelo Exército iemenita, ter atingido o aeroporto de Sana, em julho, pondo fim à trégua em vigor desde 2022.
Os rebeldes huthis, que tomaram a capital, Sana, em 2015 e controlam o território onde vive a esmagadora maioria da população do país, iniciaram avanços militares por terra em setembro, aos quais o Exército iemenita, apoiado pela Arábia Saudita, respondeu com uma contraofensiva.
Os combates provocaram centenas de mortos e desencadearam uma das maiores crises humanitárias que o mundo assiste atualmente.
Notícias ao Minuto