A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou hoje que a situação da saúde em Gaza continua crítica, com 22 ataques a infraestruturas médicas desde janeiro e apenas metade dos hospitais em funcionamento.
“ Apesar do cessar-fogo de outubro de 2025, a violência não cessou, com pelo menos 880 mortos e 2.600 feridos desde essa altura”, disse Reinhilde van de Weerdt, representante da OMS nos Territórios Palestinianos.
Numa conferência de imprensa, em Genebra, à margem da assembleia anual da organização, a representante da OMS esclareceu que nenhum dos hospitais que ainda operam em Gaza consegue funcionar em pleno.
Uma das razões é a escassez de medicamentos e de material médico, incluindo reservas de oxigénio e de “reagentes laboratoriais” que impedem o diagnóstico de doenças ou a deteção de possíveis surtos, alertou.
Israel está a bloquear a chegada de alguns destes fornecimentos, alegando a “dupla utilização”, ou seja, que podem ser utilizados para fins militares.
A OMS rejeita a acusação e pediu a alteração da medida acrescentando que se tratam de fornecimentos médicos “reconhecidos internacionalmente”.
A representante da OMS lamentou ainda a escassez de equipamento ortopédico em Gaza, onde os estudos indicam que a guerra deixou 43 mil pessoas com amputações e outras lesões permanentes, incluindo dez mil crianças.
Na mesma conferência de imprensa esteve também presente o diretor de Saúde da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), Akihiro Seita, que observou que, devido ao veto imposto pelo Parlamento israelita, a agência não pode fornecer medicamentos para a Cisjordânia ou Gaza.
Além disso, a principal agência humanitária para a população palestiniana perdeu dois centros de saúde em Jerusalém Oriental e “enfrenta uma grave crise financeira”, o que obrigou a reduzir o horário de trabalho da equipa em 20%, acrescentou.
Fonte: Notícias ao Minuto