O isolamento marítimo da ilha do Maio, motivado pela avaria no navio Liberdadi, está a gerar uma onda de cancelamentos na hotelaria, prejuízos no comércio, a retenção de passageiros e dificuldades no abastecimento de produtos alimentares na ilha.
Desde quarta-feira, operadores turísticos da cidade do Porto Inglês enfrentam uma sucessão de cancelamentos de reservas em unidades de alojamento e excursões guiadas, precisamente no arranque da época alta do turismo de Verão.
Em declarações à Inforpress, o operador turístico João Tavares afirmou que já registou cancelamentos na residencial que gere e também nos serviços de guia turístico, alertando para os impactos da instabilidade dos transportes marítimos na imagem do destino.
“Não é possível pensar o turismo na ilha com problemas frequentes de transporte. Esta situação coloca em risco a credibilidade das agências que vendem pacotes turísticos para o Maio, porque depois não conseguem garantir a deslocação dos clientes”, lamentou.
Na mesma linha, Érica Andrade, gestora de um pequeno estabelecimento de alojamento local, confirmou o cancelamento de reservas devido à impossibilidade de os visitantes chegarem à ilha.
Segundo os operadores, a repetição destes constrangimentos tem levado turistas e visitantes a perderem confiança no Maio como destino turístico, receando ficar “presos” na ilha.
Além do impacto no turismo, a paralisação das ligações marítimas deixou vários passageiros retidos na ilha desde quarta-feira, entre os quais grupos de caravanas e pessoas com viagens internacionais já programadas, que não encontram alternativa nos voos comerciais por estarem com a lotação esgotada.
O comércio local também começa a sentir os efeitos do isolamento, com o cancelamento das operações de abastecimento e o registo de algumas ruturas de stock em estabelecimentos comerciais.
Segundo o plano operacional da concessionária Cabo Verde Interilhas (CV Interilhas), a reposição das ligações marítimas com a ilha do Maio está prevista apenas para a noite de sábado, com a afectação do navio Dona Tututa.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver