O presidente do MpD, Paulo Veiga, classificou hoje os primeiros 100 dias do Governo liderado por Francisco Carvalho (PAICV) como um período de “profunda desorganização” e sem respostas para as famílias e sectores económicos.
Em conferência de imprensa para fazer o balanço dos primeiros 100 dias do executivo, o líder do Movimento para a Democracia (MpD) centrou as suas críticas na crise energética da ilha do Fogo, no aumento dos preços dos combustíveis, na agricultura, nas pescas e nos transportes marítimos.
“Foram 100 dias de profunda desorganização e de ausência de soluções para as famílias, os pescadores, os taxistas, agricultores, bravenses que continuam à espera do seu navio (…). Estes não foram os 100 dias de governação, foram dias sem governação”, declarou Paulo Veiga.
Segundo disse, a crise energética no Fogo, que deixou localidades das ilhas sem electricidade durante períodos prolongados, evidenciou, na sua perspectiva, a falta de mecanismos de prevenção e de informação às populações.
Paulo Veiga reconheceu que o problema energético do Fogo é antigo e afirmou que também os anteriores governos, inclusive do MpD, não conseguiram resolvê-lo completamente, mas contestou a afirmação de que não houve investimentos na central desde 2016.
Apontou, entre outros investimentos, um gerador móvel de um megawatt, um aval de Estado de 600 mil contos para manutenção das centrais, um novo gerador de 1.600 quilowatts, avaliado em cerca de dois milhões de euros, e uma central solar com baterias financiadas pelo Banco Mundial.
Outro ponto destacado pelo líder do maior partido da oposição foi a evolução dos preços dos combustíveis, referindo que desde Junho, a gasolina aumentou 21 por cento (%), o gasóleo 39%, o gasóleo para a pesca 61% e o combustível utilizado na produção de electricidade 78%.
Paulo Veiga criticou ainda a decisão do actual Governo de não renovar, em Julho, o mecanismo adoptado pelo anterior executivo para limitar a subida dos combustíveis, defendendo que o executivo deve assumir as suas opções.
Na agricultura, apontou as perdas provocadas pela falta de chuva e considerou preocupante a redução prevista nas directrizes do Orçamento do Estado para 2027, enquanto nas pescas questionou a demora na concretização de medidas de apoio ao sector.
O presidente do MpD referiu igualmente o compromisso anunciado durante a campanha eleitoral de resolver, nos primeiros 30 dias de mandato, os problemas de transporte marítimo na Brava, afirmando que o prazo terminou sem que o navio prometido tivesse chegado.
Para responder a estes problemas, o MpD apresentou propostas que incluem a criação de planos de reserva para manutenção das centrais eléctricas, a extensão do mecanismo de contenção de preços dos combustíveis, compensações aos agricultores pelas perdas das colheitas e medidas de apoio aos transportadores e pescadores.
Paulo Veiga concluiu que o seu partido continuará a exercer uma oposição que, segundo afirmou, deverá reconhecer o que for bem feito, apresentar alternativas e acompanhar a actuação do Governo.
Inforpress // Redação Tiver