A Organização Mundial da Saúde (OMS) verificou mais de 3.000 ataques contra infraestruturas e serviços de saúde na Ucrânia desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, anunciou hoje a agência da ONU.
“Ao longo de 1.534 dias de guerra, o sistema de saúde ucraniano sofreu ataques repetidos. A OMS verificou mais de 3.000 ataques contra os serviços de saúde”, referiu a direção regional da organização para a Europa num comunicado.
De acordo com os dados da agência das Nações Unidas, 80% dos ataques visaram hospitais ou centros de prestação de cuidados, enquanto os restantes 20% atingiram ambulâncias ou outros veículos de transporte médico.
“Cada um destes ataques constitui uma violação do direito internacional humanitário”, afirmou o diretor regional da OMS para a Europa, Hans Kluge, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Kluge avisou que tal cenário “não pode ser normalizado” e que a proteção dos serviços de saúde no âmbito do direito internacional “não é uma diretriz ou uma recomendação”.
É, sim, uma “obrigação vinculativa para todas as partes em qualquer conflito”, insistiu.
A OMS lamentou ainda que os danos causados nas infraestruturas limitem a capacidade do pessoal médico em prestar cuidados essenciais numa altura em que as necessidades da população continuam a aumentar.
Segundo dados da ONU, cerca de 12,7 milhões de pessoas na Ucrânia necessitam atualmente de assistência humanitária.
O conflito, considerado o mais sangrento na Europa desde 1945, tem registado poucos progressos nas negociações de paz.
Está prevista para quinta-feira, 14 de maio, a abertura de novas discussões entre negociadores ucranianos e norte-americanos em Miami, nos Estados Unidos.
Entre outras condições, a Rússia exige o reconhecimento da soberania em cinco regiões da Ucrânia, incluindo a Crimeia, que anexou em 2014, e garantias de que o país vizinho nunca fará parte da NATO.
A Ucrânia recusa as condições de Moscovo e, por sua vez, exige a retirada das tropas russas do país, bem como o reconhecimento das fronteiras de 1991, quando se tornou independente da União Soviética.
A Ucrânia tem contado com o apoio financeiro e em armamento dos aliados ocidentais para resistir à invasão russa.
Desconhece-se o número de vítimas da guerra da Rússia contra a Ucrânia, mas diversas fontes, incluindo a ONU, têm admitido que será muito elevado.
Fonte: Notícias ao Minuto