As Nações Unidas alertaram que a colheita da azeitona na Cisjordânia começou em clima de violência e insegurança, com ataques constantes de colonos israelitas, causando danos em olivais centenários.
A ONU denunciou a deterioração da situação e exigiu medidas urgentes para garantir a proteção das comunidades rurais e o acesso às suas terras.
O Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) registou pelo menos 160 incidentes violentos envolvendo colonos israelitas e relacionados com a campanha agrícola durante as duas primeiras semanas de outubro. Segundo o organismo, alguns destes episódios ocorreram com a participação de forças israelitas ou sob a sua proteção.
Os ataques atingiram também bens e os meios de subsistência dos agricultores, incluindo o roubo de azeitona já colhida e de equipamento utilizado nas atividades agrícolas.
Entre os incidentes recentes, destaca-se a agressão na passada sexta-feira, a um fotojornalista do jornal The Washington Post, que documentava a colheita, bem como o ataque registado no dia seguinte contra diplomatas europeus que visitavam uma comunidade palestiniana.
Perante este cenário, o Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos nos Territórios Palestinianos Ocupados pediu hoje que os governos e os doadores deixem de se limitar a declarações de condenação e adotem ações concretas.
O organismo descreveu o início da temporada como “funesto”, dada a gravidade dos episódios registados.
As dificuldades de acesso aos olivais constituem outro dos principais problemas com que se deparam milhares de agricultores palestinianos.
As restrições de circulação impostas por Israel tornaram-se consideravelmente mais apertadas nos últimos três anos, impedindo que muitos agricultores cheguem às suas próprias terras em condições de segurança, enquanto os colonos israelitas podem entrar em terrenos palestinianos para realizar a colheita, segundo o gabinete de Direitos Humanos.
O responsável pelo Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos nos Territórios Palestinianos Ocupados, Ajith Sunghay, salientou a importância da oliveira para a identidade e a relação da população palestiniana com o seu meio, alertando ainda para as consequências desta situação para as comunidades que enfrentam episódios recorrentes de violência e violações dos seus direitos.
A deterioração das condições de segurança e a destruição das culturas causaram prejuízos significativos ao setor, cujas perdas acumuladas desde outubro de 2023 ascendem a 157 milhões de dólares [cerca de 149 milhões de euros], segundo estimativas do Ministério da Agricultura palestiniano.
Na Faixa de Gaza, o Ministério da Agricultura estima que 90% dos dois milhões de oliveiras existentes tenham desaparecido durante este período. Na Cisjordânia, por sua vez, cerca de 286 mil árvores foram danificadas entre 2023 e o final de setembro de 2024 — 100 mil só este ano, ainda antes do início da colheita da azeitona.
Segundo as Nações Unidas, estes números refletem o impacto da violência e dos danos nas propriedades agrícolas numa atividade essencial para a economia e sustento de inúmeras famílias palestinianas.
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