O ministro dos Assuntos Parlamentares considerou hoje insuficiente o investimento do anterior Governo nos transportes marítimos para a Brava, defendendo soluções que melhorem a mobilidade da população e impulsionem o desenvolvimento económico e social da ilha.
Ao responder às questões levantadas pelos deputados, durante o debate parlamentar na Assembleia Nacional, , Clóvis Silva, afirmou que a capacidade do navio Dja Brava, que transporta 85 passageiros e 25 toneladas de carga, não corresponde às perspectivas de desenvolvimento da ilha.
Segundo Clóvis Silva, a questão não deve limitar-se à entrada em funcionamento de um navio adquirido pelo anterior executivo, mas passar pela procura de uma solução de transporte marítimo com “maior capacidade e condições” para responder às necessidades dos bravenses.
“Se queremos o desenvolvimento de uma ilha, investimos num navio com capacidade para garantir cabotagem de 25 toneladas. Não é este o sonho que temos para a Brava”, afirmou, sublinhando a importância de um serviço regular e adequado às exigências da população.
Ainda no que toca aos transportes marítimos inter-ilhas, Clóvis Silva manifestou preocupação com o aumento dos preços do transporte de cargas, sobretudo nas ilhas do Sal e da Boa Vista.
Neste particular, apontou a necessidade de reforçar a regulação do sector e rever as condições de funcionamento do mercado, de forma a promover a concorrência, diversificar a oferta e proteger os consumidores.
O governante pronunciou-se sobre a questão do Porto do Maio, reconhecendo que a infra-estrutura continua a exigir um esforço financeiro constante do Estado, defendendo a procura de soluções para garantir a sua manutenção e funcionamento.
O ministro abordou igualmente o aumento dos preços dos combustíveis, defendendo uma resposta transversal, com medidas articuladas nos sectores da família, das infra-estruturas, da habitação e das finanças, em vez de uma intervenção limitada ao controlo dos preços.
Relativamente ao crescimento económico previsto de 8,9 por cento (%), questionou se esse desempenho se traduz, efectivamente, em melhorias nas condições de vida das famílias cabo-verdianas, defendendo políticas públicas que reduzam os encargos, nomeadamente, nos sectores da saúde e dos transportes.
Na área fiscal, esclareceu que o Imposto sobre Consumos Especiais foi retirado no âmbito da rectificação do Orçamento do Estado para 2026, e não no orçamento inicialmente aprovado.
Quanto à habitação, o governante destacou as dificuldades de acesso a casas a preços comportáveis, sobretudo na ilha do Sal, onde a classe média e profissionais, como os professores, enfrentam constrangimentos para encontrar alojamento compatível com os seus rendimentos.
Na sua perspectiva, a especulação imobiliária contribui para a subida dos preços, pelo que defendeu a intervenção do Estado na promoção de habitações a custos controlados, garantindo que o aumento da construção se traduz num acesso efectivo à moradia por parte das famílias e dos trabalhadores.
Fonte: Inforpress // Redação Tievr