Paulo Veiga, presidente eleito do Movimento para a Democracia (MpD), quer devolver o partido às bases e recolocá-lo como maior partido autárquico de Cabo Verde, nas eleições de 2029, disse hoje em entrevista à Lusa.
Questionado sobre se a vitória interna, no domingo, é o início de um percurso para se candidatar a primeiro-ministro, disse antes ser “uma caminhada para reorganizar o MpD, devolvê-lo aos militantes e [ir] degrau a degrau”.
Só depois, “em 2029, havendo confiança e condições para eu me recandidatar à presidência do MpD, aí sim, poderemos falar de outros voos e outros objetivos”.
Paulo Veiga quer recuperar cerca de 38 mil eleitores perdidos em dois mandatos (dez anos), entre a vitória com maioria absoluta nas legislativas de 2016 e a derrota de maio deste ano para o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) – e quer também refletir sobre a abstenção.
O ato eleitoral registou uma abstenção recorde no arquipélago, com mais de metade dos eleitores inscritos a preferirem ficar longe das urnas (taxa de abstenção de 53,5%).
Uma das medidas que leva para a XIV Convenção Nacional do MpD, a realizar nas próximas semanas, “é alterar os estatutos para devolver poder às comissões concelhias, aos núcleos (…)”, disse, indicando que, em 2016, “quem escolheu os deputados e presidentes de câmara” foram os órgãos locais “e, em 2024 e 2026, foi a cúpula”.
Depois de ganhar as eleições internas, conversou com os adversários (Herménio Fernandes e Luís Filipe Tavares), prevendo que devem “reunir-se várias vezes, antes da convenção” para encontrarem “soluções para unir o partido”.
Sobre o grupo parlamentar, preferiria que a eleição do líder (Luís Carlos Silva), escolhido em junho, tivesse sido remetida para depois das eleições internas.
Lusa // Redação Tiver