PJ CONSIDERA TRÁFICO DE DROGA “RAINHA DE TODOS OS CRIMES” E REFORÇA APOSTA NA MODERNIZAÇÃO INVESTIGATIVA

O tráfico de droga continua a ser o principal motor da criminalidade em Cabo Verde, alimentando a corrupção, lavagem de capitais, criminalidade urbana e ilícitos imobiliários, afirmou hoje o director da Polícia Judiciária, Manuel da Lomba.

Segundo o director, a complexidade do tráfico vai muito além do consumo e da simples circulação de estupefacientes, ramificando-se para diferentes esferas da actividade criminosa e contaminando sectores da economia e da administração pública.

Da Lomba manifestou esta inquietação durante a conferência promovida no quadro das celebrações do 33.º aniversário da PJ, sob o lema da defesa do Estado de Direito, centrando-se nos impactos do mundo digital na actividade investigativa.

Relativamente às referências internacionais que apontam Cabo Verde como entreposto de droga associado a redes da América do Sul, o director assegurou que a PJ tem acompanhado a situação com operações realizadas em 2024 e 2025, incluindo intervenções em alto-mar.

“O maior consumo não é interno. Os grandes mercados estão na Europa, mas alguns resquícios ficam no país”, afirmou, referindo ainda situações em que, durante abordagens marítimas, traficantes lançam droga à água, que, posteriormente, acaba por dar à costa.

Sobre a circulação de drogas sintéticas, Manuel da Lomba confirmou a existência de relatos e apreensões, embora em “menor quantidade”, classificando o fenómeno como um “flagelo mundial”, com impacto significativo, sobretudo, entre os jovens.

Sublinhou que ilhas com forte vocação turística, como Sal e Boa Vista, exigem atenção redobrada, tendo em conta a exposição internacional e o perfil de consumo associado a este tipo de substâncias.

Relativamente ao sector imobiliário, confirmou a existência de processos em curso, mas escusou-se a avançar detalhes, invocando segredo de justiça.

No plano institucional, vincou que o reforço da investigação criminal passa pela aposta em meios técnico-científicos.

Entre as metas imediatas, apontou a entrada em funcionamento do laboratório de ADN até ao final do ano, instrumento que deverá elevar, significativamente, a capacidade pericial da PJ.

Fazendo um balanço da trajectória da instituição desde 1993, Manuel da Lomba considerou “francamente positivos” os resultados alcançados nos últimos dois anos e quatro meses de mandato, ressaltando o reforço de quadros, a aquisição de equipamentos e a continuidade do processo de modernização investigativa.

Fonte: Inforpress // Redação Tiver

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