PRESIDENCIAIS: CORRIDA AO PALÁCIO COM MULTIPLICAÇÃO DE CANDIDATURAS DIVIDE DEBATE E PERPLEXIDADE POPULAR

A corrida ao Palácio com multiplicação de candidaturas divide debate e perplexidade popular na recta final para a formalização das pretensões às eleições presidenciais de 15 de Novembro. 

Com o prazo legal a esgotar-se a 16 de Setembro, o surgimento de uma longa lista de aspirantes ao Palácio do Platô, que cruza figuras de peso do tabuleiro político nacional e rostos da sociedade civil, está a redefinir a dinâmica da pré-campanha e a instalar o tom de espanto nas ruas, entre quem vê na pluralidade um sinal de vitalidade democrática e quem encara a proliferação com cepticismo.

Até ao momento, manifestaram publicamente a intenção de concorrer nomes como José Maria Neves, Joana Rosa, Casimiro de Pina, Péricles Tavares, Fernando Delgado, Jorge Luís Santos e Gilson Alves, num cenário de pré-campanha que tem gerado surpresa e animação nas conversas de café, nos mercados e nas redes sociais.

Nas ruas da cidade da Praia, o tema é dominante, aliando-se o espanto dos cidadãos pela quantidade de pretendentes a uma única cadeira com a ironia sobre o apetite renovado pelo poder político.

“A política parece estar a ficar muito apetecível, porque nunca se viu tanta gente a querer chegar a Presidente da República de uma só vez”, atira Mário Gonçalves, comerciante, enquanto ajusta as contas do dia. 

Para este cidadão, a multiplicação de candidaturas pode diluir o foco do debate sério ao fazer com que, na sua óptica, “muitos apareçam mais pela visibilidade do que por uma verdadeira alternativa de governação ou de magistratura de influência, “acabando por banalizar” o cargo máximo da nação.

Contudo, há quem olhe para a diversidade de escolhas com um prisma bem mais optimista, vendo neste movimento o reflexo de uma democracia madura onde cada vez mais cidadãos se sentem legitimados a intervir nos destinos do país.

“Não vejo mal nenhum em haver muitos candidatos, pelo contrário. Mostra que os cabo-verdianos já não têm medo de avançar e que há dinamismo na sociedade”, defende Elsa Pinto, professora do Ensino Secundário. 

O problema não é a quantidade de pessoas que se apresentam, mas sim a capacidade que os eleitores terão de separar o trigo do joio quando chegarem a 15 de Novembro”, pontuou, dando mote ao ritmo que, nos corredores políticos e de análise social, acelera agora a par da logística eleitoral.

Enquanto figuras como José Maria Neves (actual Presidente da República), Joana Rosa, Jorge Luís Santos e Gilson Alves já formalizaram a entrega das suas pastas junto do Tribunal Constitucional, os restantes pretendentes, como é o caso de Antero Tavares, movimentam-se nos bastidores para fechar os processos documentais exigidos por lei antes do fecho do prazo oficial.

Entre o entusiasmo institucional e a perplexidade popular perante um boletim de voto que se adivinha preenchido, a corrida ao Palácio Presidencial arranca sob o signo da multiplicidade de vozes, obrigando os eleitores cabo-verdianos a afinar o discernimento num tabuleiro político cada vez mais concorrente.

As eleições presidenciais em Cabo Verde estão marcadas para 15 de Novembro e o prazo final para a apresentação das candidaturas é 16 de Setembro.

Fonte: Inforpress // Redqação Tiver

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