O fundador do projecto “Zé Luís Solidário” revelou hoje ter sofrido ameaças durante o processo de transferência do adolescente Dário Silva para o Senegal, garantindo que aguarda as conclusões do inquérito do Ministério da Saúde.
As declarações de Zé Luís Martins foram feitas à imprensa após uma audiência com o Presidente da República, José Maria Neves, no âmbito do sexto aniversário do projecto.
O activista explicou que o “Caso Dário” – adolescente de 13 anos diagnosticado com um tumor ósseo e encaminhado para cuidados paliativos em Cabo Verde – gerou tensão entre o projecto e algumas instituições públicas, devido à polémica em torno da transferência do adolescente para tratamento no exterior.
“Nunca tivemos colaboração. Tivemos ameaças contra o projecto e ameaças contra a minha pessoa”, denunciou o responsável, sem, contudo, revelar a identidade ou a origem dos autores das intimidações.
Zé Luís Martins criticou a postura das autoridades cabo-verdianas e assegurou que o Ministério da Saúde desconhece o paradeiro e o estado actual do adolescente em Dakar, não mantendo qualquer articulação com a equipa médica senegalesa.
Revelou ainda que, desde o mês de Março, a associação humanitária assume, de forma inteiramente isolada e sem subsídios estatais, as despesas com o internamento e tratamento do paciente, que foi submetido a uma cirurgia de amputação do braço para travar a progressão da doença.
O responsável disse que o projecto continua a aguardar os resultados da investigação para esclarecer eventuais falhas no acompanhamento clínico e no processo de evacuação do paciente.
“A vida não deve ser negada a ninguém. Enquanto há respiração, há esperança”, defendeu o activista, asseverando que o adolescente já se encontra fora de perigo de morte.
O fundador do projecto “Zé Luís Solidário” sublinhou que o caso sensibilizou a sociedade civil e reiterou que a prioridade absoluta da organização será sempre esgotar todas as vias científicas para salvar vidas humanas.
Zé Luís Martins aproveitou também para fazer o balanço das actividades do projecto, indicando que, ao longo de seis anos, foram transferidos 82 pacientes para tratamento médico em Dakar, tendo-se registado apenas dois óbitos.
Segundo afirmou, vários pacientes considerados sem solução médica conseguiram recuperar a saúde graças ao apoio prestado pela iniciativa solidária, que nasceu em Abril de 2020 para mitigar a crise alimentar da covid-19.
Ao longo dos seis anos de actividade, o projecto tem actuado nas áreas da alimentação, habitação, saúde e educação, com maior incidência nos sectores da saúde e habitação.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver