A secretária-geral da UNTC-CS afirmou hoje que a situação laboral em Cabo Verde continua “exigente e desafiante”, marcada por avanços económicos que, no entanto, não se refletem de forma justa na vida dos trabalhadores.
Em entrevista à Inforpress, a dirigente sindical reconheceu que o país tem registado crescimento económico, mas alertou que os ganhos “não estão a chegar de forma equitativa” à classe trabalhadora, que continua a enfrentar baixos salários, precariedade e fragilidades na proteção social.
Segundo a responsável, o mercado de trabalho é ainda caracterizado por um elevado nível de informalidade, sobretudo entre jovens e mulheres, com muitos trabalhadores sem contratos formais, sem acesso à segurança social e privados de direitos básicos.
“No geral, a classe trabalhadora está a pagar um preço muito alto por um desenvolvimento que deveria beneficiar a todos”, afirmou, sublinhando que algumas políticas públicas em curso tendem a agravar a precariedade em vez de a combater.
No quadro do Dia do Trabalhador, a sindicalista lembrou que a data resulta de “luta, resistência e sacrifício”, defendendo que deve ser um momento de reflexão sobre os desafios atuais e de reafirmação da defesa dos direitos laborais.
A responsável manifestou ainda preocupação com as tentativas de revisão do Código Laboral, acusando o Governo de pretender flexibilizar a legislação em benefício dos empregadores, o que, no seu entender, poderá fragilizar ainda mais a posição dos trabalhadores.
“Nós não iremos aceitar retrocessos e continuaremos a lutar por um modelo de desenvolvimento que coloque o ser humano no centro das políticas públicas”, assegurou.
“Não vamos permitir. Vamos lutar contra a intenção do Governo. Já avisámos e estamos preparados para qualquer tentativa que nos leve a sair à rua.”
Anunciou que a sua central sindical está a preparar, para os próximos dias, uma Assembleia Geral de todos os sindicalistas de Santiago, com o objetivo de analisar a situação laboral e promover uma reflexão conjunta sobre os problemas que afetam os trabalhadores.
Relativamente aos salários, considerou que não acompanham o aumento do custo de vida, apontando para a subida significativa dos preços de bens essenciais, o que tem provocado a perda do poder de compra das famílias.
Embora reconheça o aumento do salário mínimo nacional nos últimos anos, sustentou que essas melhorias resultaram da pressão sindical, criticando a intenção de fixar novos aumentos apenas para o futuro, em vez de responder às necessidades imediatas dos trabalhadores.
Quanto ao diálogo social, a secretária-geral da UNTC-CS disse que, apesar de existir formalmente, não tem sido eficaz, acusando o Governo de levar decisões já tomadas para a concertação social, esvaziando o espaço de negociação.
“O Governo reúne a Concertação Social no Ministério das Finanças ou no próprio Palácio do Governo”, acusou a secretária-geral da principal central sindical cabo-verdiana, acrescentando que esses encontros devem realizar-se num espaço “isento, transparente, sem pressão”.
Ainda no âmbito das comemorações do 1.º de Maio, informou que, por limitações financeiras, a central sindical não realizará manifestações, prevendo, contudo, a realização de uma assembleia de sindicalistas da ilha de Santiago para análise da situação laboral no país.
Entretanto, a Inforpress tentou ouvir também a posição da Confederação Cabo-verdiana de Sindicatos Livres (CCSL), nomeadamente o seu representante José Manuel Vaz, mas este escusou-se a falar sobre o Dia do Trabalhador, alegando que o país se encontra em plena campanha eleitoral e que não pretendem “atrapalhar o processo”.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver