Agricultores do perímetro agrícola de Algodoeiro, na cidade do Tarrafal, denunciaram hoje o agravamento da escassez de água para rega, afirmando que a redução do abastecimento para apenas uma hora diária está a comprometer as culturas.
Em declarações à Inforpress, o presidente da Associação dos Agricultores de Algodoeiro, Sidónio Silva, classificou a situação como “bastante preocupante”, explicando que o tempo de fornecimento de água diminuiu progressivamente ao longo dos anos.
“Inicialmente eram seis horas de água por dia, depois passou para quatro, três, duas e, há cerca de um ano, ficou reduzido a apenas uma hora, o que é manifestamente insuficiente para uma zona agrícola com as características de Algodoeiro”, afirmou.
Segundo este responsável, cada agricultor dispõe, em média, de parcelas com cerca de 2.500 metros quadrados, mas grande parte dos terrenos encontra-se actualmente sem cultivo devido à insuficiência de água.
Sidónio Silva explicou que muitos produtores têm conseguido apenas manter algumas plantas já existentes, enquanto culturas como cebola, batata, cana-de-açúcar e banana registam fortes quebras de produção, havendo mesmo casos de árvores e bananeiras que secaram completamente.
“A esta altura do ano deveríamos estar a plantar cebola e batata, mas muitos terrenos continuam vazios porque simplesmente não há água suficiente para produzir”, lamentou.
O dirigente associativo acrescentou ainda que os reservatórios construídos para armazenamento da água também estão a ser afectados, uma vez que deixaram de encher completamente, situação que tem provocado fissuras e perdas adicionais.
Além da escassez de água, os agricultores voltam a manifestar preocupação com a gestão do sistema de distribuição.
Segundo Sidónio Silva, numa reunião realizada há cerca de um ano entre agricultores, representantes do Ministério da Agricultura e Ambiente, câmara municipal, serviços de água e outros intervenientes, ficou acordado que o abastecimento seria efectuado três vezes por semana, compromisso que, segundo afirmou, nunca foi cumprido.
Mais recentemente, adiantou, foi realizada uma reunião por videoconferência com a Agência Nacional de Água e Saneamento (ANAS), da qual os agricultores aguardam uma decisão que permita resolver o problema.
Para Sidónio Silva, caso a situação se mantenha, o perímetro agrícola corre o risco de perder cada vez mais produtores.
“A agricultura exige muito investimento, esforço e dedicação. Sem água torna-se impossível continuar e já há agricultores a abandonar os seus terrenos”, advertiu.
Outra preocupação dos agricultores prende-se com a regularização fundiária dos terrenos, e o presidente da associação explicou que apesar de os agricultores cultivarem aquelas parcelas desde o início da década de 1980 continuam apenas com a posse útil dos terrenos, aguardando há vários anos pela atribuição da posse definitiva.
Segundo afirmou, a ausência desse título impede os agricultores de utilizar os terrenos como garantia para acesso a financiamentos destinados ao desenvolvimento da actividade agrícola.
Também o agricultor Carlos Lopes criticou a redução do tempo de abastecimento, considerando que uma hora diária “não faz nada” para assegurar a produção agrícola.
Segundo relatou, a diminuição do fornecimento de água já provocou a morte de diversas árvores de fruto e comprometeu culturas como a banana e a goiaba.
O agricultor denunciou ainda prejuízos provocados pela entrada de animais nas explorações agrícolas, alegando que muitos produtores se sentem “abandonados” perante os problemas que enfrentam.
De acordo com a Associação dos Agricultores, o perímetro agrícola de Algodoeiro integra 18 parcelas, distribuídas por aproximadamente 20 famílias, que continuam a aguardar soluções para garantir água suficiente e assegurar a continuidade da produção agrícola no local.
Contactado pela Inforpress a empresa Aguas de São Nicolau prometeu para esta tarde uma reação sobre o assunto.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver