TRANSIÇÃO ENERGÉTICA DEVE ACELERAR PERANTE NOVAS CRISES GLOBAIS – RESPONSÁVEL DA CEDEAO

Agora, mais do que nunca, cada país deve encontrar alternativas aos combustíveis fósseis e garantir a segurança energética. Isto num contexto em que a guerra no Médio Oriente agravou a volatilidade dos preços e expôs a fragilidade da dependência energética global, defendeu hoje um responsável da CEDEAO.

A posição é de Claudino Mendes, coordenador do Programa Regional de Certificação de Competências em Energia Sustentável da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), à margem de uma conferência sobre energia sustentável, que decorre esta sexta-feira, em São Vicente.

“Sempre que há uma crise energética, fala-se de transição energética. A primeira transição energética foi quando saltámos do carvão para o petróleo. Descobriram-se novos recursos, então houve necessidade de tirar melhor proveito. Agora, o problema tornou-se o petróleo, que se tornou um bem raro, e é preciso, então, encontrar alternativas, porque está tudo atrelado a esse recurso. E, nessa perspectiva, agora mais do que nunca, cada país, cada sociedade deve tentar encontrar recursos próprios, encontrar formas alternativas próprias de produzir a sua energia, de forma a garantir essa segurança energética que estamos a almejar”, defende.

Em países como Cabo Verde, com abundância de sol e vento, Claudino Mendes entende que a estratégia deve passar por investimentos próprios, capazes de tirar o máximo proveito desses recursos naturais na transição energética. A cooperação internacional é importante para a importação de tecnologia e para a sua adaptação ao contexto local.

“Os recursos naturais, sol e vento, são abundantes e, graças a Deus, enquanto país insular, nós temos esse recurso em abundância. O que nós precisamos, efetivamente, é de ter uma estratégia e um investimento próprios para conseguir tirar o máximo proveito desses recursos. E aqui, sim, a cooperação internacional é muito importante, no sentido de desenvolvermos tecnologias adaptadas e que satisfaçam a necessidade do país, do local, no seu todo”, entende.

Cabo Verde assumiu a transição energética como um desígnio nacional estratégico para reduzir a dependência extrema de combustíveis fósseis importados e aumentar a resiliência climática. O país definiu metas para as próximas décadas, apoiadas por investimentos em infraestrutura e novas tecnologias de armazenamento. O coordenador do Programa Regional de Certificação de Competências da CEDEAO recorda que as mudanças constantes no contexto global implicam que as estratégias sejam repensadas.

“A verdade é que traçamos metas, temos objetivos, mas, a cada dois, três anos, acontece um incidente. Ou é a COVID, agora temos uma nova crise. Isso faz-nos refletir. Ou seja, temos que repensar novamente a nossa estratégia. E parece que aceleração pode ser a palavra-chave, porque já não dá para seguir à velocidade com que nós iniciámos. E temos que ver isso em várias perspectivas. Não só investimentos em novas tecnologias renováveis, mas, quem sabe, está na hora de começarmos a ser um pouco mais eficientes, não só em termos dos hábitos caseiros, mas também a nível da construção, a nível da utilização de recursos que podem ter impacto económico na nossa vida quotidiana”, refere.

É neste contexto que decorre hoje, na Universidade do Mindelo, a conferência “Iniciativas de Desenvolvimento de Energia Sustentável na CEDEAO, Cabo Verde”, em comemoração do 50.º aniversário da organização regional. O encontro é promovido pelo Centro para as Energias Renováveis e Eficiência Energética da CEDEAO e pela Representação da CEDEAO em Cabo Verde, em parceria com a Universidade do Mindelo.

Fonte: Expresso das Ilhas // Redação Tiver

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