As associações Quercus Cabo Verde e Lantuna defenderam hoje o reforço da fiscalização, mais apoio à sociedade civil e políticas públicas eficazes para proteger a biodiversidade, alertando para “as crescentes ameaças” aos ecossistemas terrestres e marinhos do arquipélago.
As preocupações foram manifestadas em declarações à Inforpress, por ocasião do Dia Mundial da Conservação da Natureza, assinalado hoje.
O presidente da Quercus Cabo Verde, Paulo Ferreira, considerou que o país registou progressos na sensibilização ambiental, fruto do trabalho desenvolvido por organizações da sociedade civil através de campanhas, debates, acções de limpeza e iniciativas de educação ambiental.
Ainda assim, advertiu que “persistem desafios significativos” na preservação dos ecossistemas e na protecção das espécies endémicas de flora e fauna.
Segundo o responsável, dezenas de espécies endémicas continuam sob ameaça, daí a necessidade de reforçar a protecção dos habitats naturais, das zonas costeiras e de espécies emblemáticas, como as tartarugas marinhas, tubarões, aves endémicas e plantas nativas, bem como actualizar os estudos científicos sobre a biodiversidade nacional.
Na mesma linha, a presidente da Associação Lantuna, Ana Veiga, reconheceu os avanços registados na conservação da natureza, salientando o aumento do número de organizações da sociedade civil e de universidades envolvidas na investigação científica e em acções de conservação.
No entanto, alertou que várias espécies protegidas continuam em declínio devido à destruição dos habitats, à captura ilegal, à pressão humana sobre as zonas costeiras e à insuficiência de estudos sobre algumas espécies.
Entre as principais ameaças identificadas pelas duas organizações destacam-se a destruição dos habitats naturais, a ocupação desordenada da faixa costeira, a extração ilegal de areia, a poluição por plásticos, a circulação de veículos motorizados em zonas sensíveis e a proliferação de espécies invasoras, como gatos, ratos e a acácia-americana.
As associações alertaram igualmente para os impactos das alterações climáticas, nomeadamente das secas prolongadas, que têm reduzido as populações de plantas nativas e afetado a fauna devido à escassez de água e alimento.
No plano legislativo, ambos os responsáveis reconheceram que Cabo Verde dispõe de uma base legal ambiental “relativamente sólida”, mas desejam uma aplicação mais rigorosa da legislação existente.
“O principal problema não é a falta de leis, mas a sua fiscalização”, sustentou o presidente da Quercus, posição partilhada pela presidente da Lantuna, que apontou a insuficiência de meios e a fraca capacidade de resposta das autoridades como factores que favorecem a continuidade de práticas ilegais e comprometem a credibilidade das instituições.
As organizações defenderam ainda “uma maior participação” das ONG na definição das políticas ambientais e um reforço do financiamento destinado às iniciativas de conservação.
Relativamente ao turismo, ambas consideraram que o desenvolvimento do sector deve estar associado à preservação ambiental, sublinhando que praias, dunas, áreas protegidas e fundos marinhos constituem recursos estratégicos para a competitividade do destino Cabo Verde.
A presidente da Lantuna referiu que existe actualmente um diálogo mais próximo entre as organizações ambientalistas e o Ministério da Agricultura e Ambiente, embora persistam divergências relativamente a algumas decisões relacionadas com a ocupação das zonas costeiras.
Destacou igualmente a criação da Rede para a Conservação Ambiental, que reúne atualmente 19 organizações da sociedade civil.
Como prioridades para reforçar a conservação da biodiversidade, as duas associações defenderam o combate à extração ilegal de areia, uma melhor gestão do ordenamento costeiro, o controlo das espécies invasoras, o reforço da fiscalização ambiental, a protecção das praias e das áreas de desova das tartarugas marinhas, bem como a redução do consumo de plásticos descartáveis e uma gestão mais eficaz dos resíduos.
Os responsáveis apelaram ainda ao envolvimento dos cidadãos, dos turistas e das autoridades na preservação do património natural, considerando que a conservação da biodiversidade representa um investimento estratégico para o desenvolvimento sustentável, a qualidade do turismo e as futuras gerações.
Fonte: Inforpress // Redação Tiver