DESAFIOS ENFRENTADOS POR CV PARA MELHORAR O ACESSO A ÁGUA E O SANEAMENTO

O mundo comemora hoje, 22 de março, o Dia Mundial da Água, uma data que tem como objetivo colocar em discussão assuntos importantes relacionados com esse recurso natural. Cabo Verde é um arquipélago que tem elevadas vulnerabilidades ambientais, enfrentando enormes desafios nos sectores de água e saneamento.

Um país arquipelágico situado na zona do Sahel, caraterizada pela sua extrema aridez, uma limitada precipitação média de 230 mm/ano, em que somente 13% contribui para a alimentação das águas subterrâneas e agravada com o fenómeno de alterações climáticas, aumento populacional e crescimento económico, pelo que a disponibilidade de água vem se tornando cada vez um fator crítico para o seu desenvolvimento socioeconómico.

Em consequência Cabo verde vem dependendo cada vez mais da água dessalinizada para o consumo. Mais de 80% da água do consumo doméstico é dessalinizada e com um elevado custo de energia, tendo implicação direta na tarifa da água, considerada uma das mais elevadas em África.

Apesar de Cabo Verde ser um país constituído por 99% do mar, a sua população sofre com escassez de água. Mas essa escassez é de água de qualidade para consumo e agricultura. Segundo dados do INE, do quinto Recenseamento Geral da População e Habitação, 2021, 75% dos cabo-verdianos têm acesso à água potável segura.

De acordo com o presidente da comissão instaladora da Agência Nacional de Água e Saneamento (ANAS), a agência vem trabalhando na prevenção, mobilização de todos os recursos possíveis, desde a água subterrânea até a água salinizada e agora águas superficiais com a construção de barragens para a retenção da água das chuvas, de modo a aumentar a taxa de acesso à cobertura da rede de abastecimento de água.

Além disso, Cláudio Lopes, PCA da ANAS, afirmou que pretendem aumentar dos cerca de 35% para 60% a taxa de cobertura dos serviços de saneamento líquido e ligações à rede de esgoto.

 E devido a falta de água no país o problema da sua gestão implica também estratégias sociais, e investindo no processo de mobilização da água e ao mesmo tempo sensibilizar a comunidade a fazer uma boa gestão da água. Sendo importante injetar na mente do cidadão que a água custa e que podem utili­zar menos de metade da água que utilizam agora, com mais eficiência e retorno. A aposta no saneamento, além da questão de saúde pú­blica, também teria impacto a nível do uso de água, permi­tindo “poupar” água potável.

O acesso à água e saneamen­to é um direito fundamental que todos os cidadãos têm e que nunca pode ser posto em causa, ou esquecido pelo Executivo.

O Plano Estratégico de Água e Saneamento, chamado PLENAS, que é a nossa ‘bíblia’ prevê que cada pessoa deve ter no mínimo 40 litros de água por dia, até o máximo de 90 litros.

Prevê ainda que nenhuma família gaste 5% do seu rendimento em água e saneamento e lá onde a condição do relevo não permite, ninguém possa andar mais do que 10 minutos até uma fonte de água segura, havendo pessoas que não o podem pagar, cabe ao Estado conceber uma política bem organizada e calculada de subsidiarização que garanta o bem, a quem precisa. Mas em Cabo Verde muitas pessoas continuam sem acesso a água e saneamento, e nesta altura já deveria haver uma cobertura superior a 60%.

Cabo Verde tem uma boa tradição no planeamento do sector da água e saneamento mas tem que atualizar esses planos tendo em conta os novos objetivos: investimentos sustentáveis; o monitoramento dos serviços; a regulação, neste caso a técnica ao lado da regulação económica para que a população possa ter serviços de qualidade e produtos de qualidade; a prestação de contas; a gestão das infraestruturas de tudo que é a manutenção e naturalmente, a gestão dos conflitos de água, muito importante para uma boa governança nesses setores.

Redação Tiver  

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