O presidente do Observatório Nacional do Tráfico de Pessoas (ONTP) defendeu hoje a urgência de um maior envolvimento comunitário para travar o crime de tráfico de pessoas no país.
José Luís Vaz falava na abertura oficial do Mês Nacional de Mobilização Contra o Tráfico de Pessoas 2026, sublinhando que a articulação com a sociedade civil e com as associações locais é o pilar fundamental para garantir a eficácia das acções de prevenção e de protecção das vítimas.
“As associações estão nas comunidades, conseguem diagnosticar e perceber as vulnerabilidades das localidades. Assim, estarão mais aptas a fazer um trabalho de prevenção, mas também de sinalização, que é muito importante, e será uma ajuda crucial nesta resposta nacional”, afirmou o responsável.
A mesma fonte justificou que, por se tratar de crime organizado, “não se pode ingenuamente pensar” que uma instituição, ou só o Estado, poderá dar uma resposta eficiente.
Alinhada com o lema internacional das Nações Unidas “Aprisionados pelo golpe”, a campanha nacional deste ano desenvolve-se sob o tema “Fugir do golpe: informar, prevenir e agir contra o tráfico de pessoas”, adotando o slogan “Conhecer para prevenir”.
A iniciativa visa reforçar a informação e a prevenção como os principais instrumentos de combate a este crime.
Durante a cerimónia, José Luís Vaz apresentou um balanço do percurso da instituição desde a sua criação, destacando os principais resultados alcançados, os desafios actuais e as perspectivas futuras.
Na ocasião, foi também partilhado o programa de actividades do mês e os detalhes do III Fórum Nacional Contra o Tráfico de Pessoas, agendado para o dia 30 de Julho, data em que se assinala o Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas.
O acto ficou também marcado pela assinatura de dois protocolos de cooperação entre o ONTP e as associações comunitárias “Donu Nha Distinu” e Associação Comunitária de Achada Eugénio Lima (ACAEL), cujas parcerias pretendem robustecer a rede de parceiros nacionais e o compromisso conjunto na prevenção, identificação e protecção de vítimas ao nível local.
Sobre o impacto destas assinaturas, aquele responsável referiu que este passo fortalece a vigilância de proximidade, permitindo criar canais directos de denúncia e apoio às famílias mais vulneráveis no seio dos bairros.
Ao longo do mês de Julho, o ONTP vai promover diversas iniciativas de sensibilização e mobilização nas ilhas de Santiago, São Vicente, Sal e Boa Vista, envolvendo instituições públicas, organizações da sociedade civil, parceiros internacionais e as comunidades locais, visando aumentar o conhecimento da população sobre os riscos do tráfico de seres humanos e na promoção de uma cultura de prevenção e denúncia.
O ONTP estendeu o convite aos órgãos de comunicação social, reconhecendo o papel fundamental da imprensa na consciencialização pública e no combate a este “grave crime”.
Fonte: Inforpress // Redação tiver